Como ter ideias melhores?

Por que ter muitas ideias é o segredo das boas, a ideia que nasceu de uma cola que não colava, por que as ideias chegam no banho, se caminhar te deixa mais criativo, se o brainstorming funciona melhor em grupo ou a sós, por que os limites te deixam mais criativo, como decidir entre as suas ideias e um plano para continuar.

De onde vêm as boas ideias?

Como ter ideias melhores? Os grandes gênios não tinham menos ideias ruins: tinham mais ideias. E as suas escapam se você não anota. E se ter boas ideias fosse um hábito, e não um dom? Hoje você vai ver isso com dados, e vai sair com um plano para continuar.

Aliás, esta é a minha casa no MindHaOS, e sim: já é Natal. E não existe época melhor para precisar de ideias: presentes, ceias, metas de ano-novo. Este é o meu cômodo de Ideias: aqui eu anoto todas as que me vêm à cabeça.

O psicólogo Dean Keith Simonton estudou por décadas cientistas e artistas famosos, e encontrou algo surpreendente: os que tinham mais obras-primas também tinham mais fracassos. O segredo deles não era acertar mais, e sim produzir mais.

Thomas Edison registrou mil e noventa e três patentes nos Estados Unidos, e muitas não serviram para nada. Como disse Linus Pauling, vencedor de dois prêmios Nobel: a melhor forma de ter uma boa ideia é ter muitas ideias.

Se uma em cada dez ideias é boa, a conta é simples: mais ideias, mais ideias boas. Veja quantas boas você tem por ano.

Por isso eu tenho um diário de ideias: anoto todas, até as que parecem bobas, e depois organizo.

Que ideia nasceu de uma cola que não colava?

Em 1968, Spencer Silver, um químico da empresa 3M, tentava criar uma cola superforte. Saiu tudo ao contrário: uma cola que mal grudava e descolava sem deixar marca. Durante anos, ninguém encontrou uso para ela.

Até que, em 1974, o colega dele, Art Fry, que cantava no coral da igreja, se cansou de ver os marcadores de papel caírem do hinário. E se lembrou da cola que não colava.

Em 1980, as notas Post-it chegaram às lojas. Uma ideia que tinha fracassado virou outra ideia, anos depois, porque alguém a guardava na memória.

Por isso eu não jogo nenhuma ideia fora: no meu diário elas ficam guardadas por data e por tema, e eu volto a elas quando preciso.

Por que as ideias chegam no banho?

Em 1926, Graham Wallas descreveu como uma ideia chega: primeiro você se prepara e dá voltas no problema; depois você o solta, e a sua mente continua trabalhando nele por baixo; e de repente, a ideia aparece.

Em 2012, uma equipe da Universidade da Califórnia testou isso com problemas criativos. Quem fez algo fácil no intervalo, algo que deixava a mente vagar, melhorou muito mais do que quem se concentrou em outra tarefa difícil ou não descansou.

Então mergulhe no problema, depois solte com algo simples, como lavar a louça ou embrulhar presentes. E quando a ideia chegar, anote rápido, antes que ela vá embora.

Quando uma ideia não sai da minha cabeça, eu passo para um mapa mental, como o da minha vida ideal, e deixo descansar.

Caminhar te deixa mais criativo?

Em 2014, Marily Oppezzo e Daniel Schwartz, da Universidade Stanford, pediram a várias pessoas que inventassem usos novos para objetos comuns, sentadas ou caminhando. Caminhando, elas tiveram em média sessenta por cento mais ideias.

E o efeito continuava um tempo depois de sentar. Não importava se caminhavam ao ar livre ou numa esteira, de frente para uma parede: o que contava era se mexer.

Então, quando você empacar, leve o problema para dar uma volta. E leve algo para anotar.

Até a minha rotina da manhã eu tenho num fluxograma: assim eu vejo onde cabe uma caminhada.

Brainstorming em grupo ou a sós?

O brainstorming foi popularizado por um publicitário, Alex Osborn, nos anos cinquenta. Mas em 1987, Michael Diehl e Wolfgang Stroebe colocaram isso à prova: as mesmas pessoas, cada uma trabalhando sozinha e juntando as listas depois, tiveram quase o dobro de ideias do que em grupo.

Por quê? Em grupo você precisa esperar a sua vez, e enquanto escuta, a sua ideia some. Veja quantas ideias se perdem numa reunião.

Se você está gostando do guia, deixe o seu gostei, inscreva-se para não perder o próximo e compartilhe com aquela pessoa que sempre tem ideias mas nunca anota.

O melhor é misturar: primeiro cada um a sós, sem julgar nada; depois todo mundo se junta, combina e melhora as ideias.

O meu brainstorming de presentes de fim de ano eu fiz sozinho, uma ideia atrás da outra, e dali ele virou um mapa com um toque.

Por que os limites te deixam mais criativo?

Em 1960, o editor Bennett Cerf apostou cinquenta dólares com o Dr. Seuss, o autor do Grinch, que ele não conseguiria escrever um livro com só cinquenta palavras diferentes. Seuss escreveu Ovos verdes e presunto, um dos livros infantis mais vendidos da história.

Em 2017, a psicóloga Catrinel Haught-Tromp testou isso: quem precisou escrever rimas usando certas palavras obrigatórias criou rimas mais criativas do que quem escreveu livremente.

Então coloque limites: dez minutos, um orçamento pequeno ou uma regra esquisita, como presentes que caibam numa meia.

E para não me afogar em tantas ideias, a minha matriz de Eisenhower me diz o que fazer já, o que agendar e o que deixar pra lá.

Como decidir entre as suas ideias?

Em 1772, Benjamin Franklin explicou a um amigo como decidia: uma folha com duas colunas, a favor e contra. Durante alguns dias ele anotava razões, dava um peso a cada uma e riscava as que se equilibravam entre si. Ele chamou isso de álgebra moral.

O importante não é quantas razões há de cada lado, e sim quanto pesa cada uma. Teste a sua própria balança.

E quando você tiver várias opções, escolha os seus critérios, dê importância a cada um, dê uma nota a cada opção… e consulte o travesseiro.

Nos meus diagramas eu tenho os prós e contras com o seu peso, e uma matriz de decisão para escolher a minha câmera.

Como seguir? O seu plano para continuar

Na primeira semana, anote cada ideia que surgir, por menor que seja, num só lugar.

No primeiro mês, faça um brainstorming a sós toda semana, saia para caminhar quando empacar e coloque um limite em cada desafio.

E todo mês, releia as suas ideias antigas: alguma vai se combinar com outra nova. E quando chegar a hora de decidir, coloque na balança.

E se eu não sei por onde começar, cada mapa e cada diagrama traz um exemplo para ver funcionando.

Resumindo: tenha muitas ideias e anote todas; solte o problema e saia para caminhar; faça o seu brainstorming a sós antes de se juntar com os outros; coloque limites; e decida com uma balança, não por impulso.

Nas Ideias do MindHaOS você anota o seu diário de ideias, organiza os seus mapas e decide com os seus diagramas. Você pode fazer por conta própria, ou com a ajuda da IA. Monte sua casa mental grátis hoje: o link está na descrição. E no próximo guia: como viajar melhor?

Este guia é informativo e geral. Os estudos citados medem a criatividade em tarefas específicas; os seus resultados podem variar.

  1. Simonton D. K. Creative productivity: a predictive and explanatory model of career trajectories and landmarks. Psychological Review 104(1), 66-89 (1997).
  2. História das notas Post-it (Spencer Silver e Art Fry, 3M). Wikipédia.
  3. Wallas G. The Art of Thought (1926). Wikipédia.
  4. Baird B. e colegas. Inspired by distraction: mind wandering facilitates creative incubation. Psychological Science 23(10), 1117-1122 (2012).
  5. Oppezzo M., Schwartz D. L. Give your ideas some legs: the positive effect of walking on creative thinking. Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition 40(4), 1142-1152 (2014).
  6. Diehl M., Stroebe W. Productivity loss in brainstorming groups: toward the solution of a riddle. Journal of Personality and Social Psychology 53(3), 497-509 (1987).
  7. Haught-Tromp C. The Green Eggs and Ham hypothesis: how constraints facilitate creativity. Psychology of Aesthetics, Creativity, and the Arts 11(1), 10-17 (2017).
  8. Benjamin Franklin. Carta a Joseph Priestley sobre a «álgebra moral» (19 de setembro de 1772). Founders Online.